Garrancho Digital

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Fim de Palavra



Para rever o passado: saudade.
Para momentos de fossa: amizade.
Para um mundo melhor: igualdade.
Para os dias de tédio: vontade.

Para os pobres de espírito: piedade.
Para alcançar a bonança: tempestade.
Para a metade da laranja: afinidade.
Para ir mais longe: humildade.

Para quebrar a rotina: novidade.
Para contemplar a natureza: sensibilidade.
Para os menos favorecidos: caridade.
Para fazer um amigo: lealdade.

Para baixa auto-estima: vaidade.
Para um momento a dois: intimidade.
Para os pés no chão: gravidade.
Para deixar nas entrelinhas: subjetividade.

Para o mundo global: diversidade.
Para entender o amor: cumplicidade.
Para acreditar no futuro: prosperidade.
Para entregar-se a um sonho: totalidade.

Para colher os frutos: bondade.
Para os momentos difíceis: serenidade.
Para esperar do ser humano: sinceridade.
Para dizer o que pensa: personalidade.

Para encontrar no fim do túnel: claridade.
Para fazer acontecer: publicidade.
Para os instantes de fúria: tranquilidade.
Para ter menos tempo: velocidade.

Para a paz no mundo: fraternidade.
Para acordar de um sonho: realidade.
Para fugir do lugar-comum: criatividade.
Para alcançar o divino: espiritualidade.

Para dizer o que quer que seja: verdade.
Para continuar sonhando: liberdade.
Para justificar a vida: felicidade.
Para irritar uma mulher: idade.

Para ir além: curiosidade.
Para aguçar a libido: sensualidade.
Para uma vida completa: simplicidade.
Para terminar este texto: finalidade.

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"Fim de Palavra" tem seus direitos reservados pela Creative Commons.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

...

– O que foi, Bia?

– Hum?

– Aconteceu alguma coisa?

– Não.

– E por que você tá assim?

– Assim como?

– Assim estranha.

– Nada.

– Como assim nada?

– Ué! Nada. Nada e só.

– E essa cara aí?

– Minha cara de todos os dias. Nasci com ela e tô com ela até hoje.

– Viu? Tá irônica e grossa.

– É você.

– Eu o quê?

– Nada. Esquece.

– Esquece não. Começou agora termina.

– Não tô com vontade.

– Lá vem você com essas criancices de novo. Fica difícil desse jeito.

– Criancice não. Você começa e depois reclama.

– Eu começo? Você fica aí emburrada sem motivo e a culpa é minha?

– Sem motivo não. Você me dá todos os motivos do mundo.

– Então cita um pelo menos. Só um.

– Não quero falar disso. Não insiste.

– Disso o quê, meu Deus?

– ...

– Bia? Tô falando com você.

– ...

– Ah, puta merda! Vai começar a chorar?

– Não tô chorando.

– E o que é isso escorrendo do seu olho então?

– Foi um cisco.

– Ah, me poupe. Fala sério. É TPM, não é?

– Grosso, estúpido, idiota, imbecil, alienígena.

– Alienígena? Agora você inovou. Você me faz rir muito.

– Insensível.

– Aposto que é TPM.

– TPM da sua mãe.

– Ôpa! Olha a apelação! Assim vai perder a razão.

– Desculpa.

– Não, tudo bem. Só queria saber o motivo de você estar assim.

– Você é uma anta esquecida mesmo.

– Ih! Vai continuar?

– É que você, senhor Falta de Sensibilidade, nunca se lembra dos aniversários das nossas datas marcantes.

– E qual seria a data tão importante que o senhor Falta de Sensibilidade aqui esqueceu dessa vez?

– Se você não lembra é porque não tem importância. Então esquece.

– É isso aí, vou esquecer mesmo. Cansei.

– Cansou não. Agora vai ter que escutar.

– Mas era isso que eu pretendia desde o começoooo.

– ...

– Vai falar não?

– ...

– Bia?

– ...

– Maria Beatriz?

– ...

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